Nomes que Fizeram História

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Pascal

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BLAISE PASCAL   (1623 - 1662)


O pai de Blaise Pascal estava mais do que acostumado a lidar com números: além de ser matemático, trabalhava para o governo no setor de cobrança de impostos. No entanto, preferiu que o filho se dedicasse primeiro ao estudo das línguas clássicas.

Apesar dessa educação, Pascal, com apenas 16 anos, já publicava um livro sobre a geometria das seções cônicas (elipses, parábolas, hipérboles) - Essai sur les coniques, fazendo avançar um tema que havia permanecido estagnado por 19 séculos. Nem mesmo isso era de espantar, pois algum tempo antes, movido apenas pela curiosidade, ele já havia conseguido sem qualquer ajuda ou leitura, deduzir as 32 primeiras proposições geométricas de Euclides.

Com 19 anos Pascal inventou a primeira máquina de calcular para facilitar o trabalho de seu pai, encarregado do controle fiscal da Normandia. Composta de engrenagens, mostradores e pequenas alavancas, permitia efetuar somas e subtrações.

Desde criança Pascal nunca teve boa saúde física, o que talvez justifique sua preferência pelo trabalho mental. De fato, muitos seriam os desafios que se proporia a decifrar e resolver.

Certa vez propuseram-lhe um problema referente ao jogo de dados. Refletindo sobre ele, acabou desenvolvendo, em colaboração com o matemático Fermat, um novo ramo da matemática que é o estudo das probabilidades. Pela primeira vez podiam-se medir com valores numéricos, coisas até então consideradas imensuráveis tais como a certeza ou a incerteza de que um determinado evento pudesse ocorrer.

A curiosidade de Pascal também o levou a estudar o comportamento dos fluidos. Foi ele quem descobriu que a pressão se transmite a todos os pontos de um líquido, aumentando progressivamente com a profundidade e que age perpendicularmente às superfícies que o limitam.

Ao aplicar suas conclusões às idéias de Torricelli a respeito da atmosfera, Pascal concluiu que à medida que nos elevávamos, o peso do ar acima de nós iria diminuindo e que, portanto, a quantidade de ar iria decrescendo com a altitude até desaparecer por completo. Construiu então dois barômetros iguais aos de Torricelli e pediu que um parente escalasse uma montanha carregando-os (sua saúde não lhe permitia fazer essa experiência pessoalmente). Como previsto, o nível das colunas de mercúrio baixou significativamente durante a escalada, retornando à altura inicial ao final da descida.

Com a morte de seu pai, em 1651, e após escapar da morte em um acidente de carruagem, passou a dedicar-se inteiramente a Deus e lutando literariamente por seu princípios espirituais, agora mais despertados. Mesmo assim não abandonou a pesquisa científica e, neste sentido, também propôs e resolveu o problema do Ciclóide.

Pascal reuniu em sua personalidade duas qualidades antagônicas que ele próprio distinguiu: o espírito geométrico, que o fez importante físico e matemático, e o espírito de finura, esprit de finesse, graças ao qual foi profundo homem religioso, grande escritor e o verdadeiro fundador da prosa literária francesa.

Na última década de sua vida Pascal se interessou também pela filosofia religiosa. Dedicando-se à meditação redigiu, entre outros escritos, a obra Pensées (Pensamentos). Em seus últimos dias de vida (morreu com apenas 39 anos), declarou haver refletindo o suficiente para concluir que a razão, sozinha, não servia de instrumento para se compreender por completo o universo dos fenômenos. 

Talvez a frase de Pascal mais famosa entre nós, e que espanta todos que ficam sabendo ser de sua autoria, seja esta: "O coração tem razões que a própria razão desconhece".

Em sua homenagem, a unidade de pressão no Sistema Internacional leva o seu nome.

  

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