Nomes que Fizeram História

índice de nomes

Coulomb

página inicial

CHARLES AUGUSTIN DE COULOMB   (1736 - 1806)


Charles Augustin de Coulomb nasceu a 14 de junho de 1736, em Angoulême, França. Seu pai - Henri Coulomb - ocupava então o cargo de inspetor dos domínios do rei. Alguns anos mais tarde abandonou essa função e retirou-se para sua cidade natal - Montpellier. Sua mulher ficou em Paris e, com ela, o pequeno Charles, que ali freqüentou o Colégio das Quatro Nações e o Colégio Real. Em 1758 deixou Paris para ir juntar-se ao pai. Deste, conseguiu autorização para alistar-se na Arma de Engenharia.

Sua carreira militar encerrou-se com a nomeação para subtenente da École Métiers, em 1760, terminando o curso de engenharia no ano seguinte. Viajou algum tempo depois para a Martinica, como diretor dos trabalhos de fortificação daquela ilha. Sua permanência nas Antilhas foi, porém, bastante curta: não conseguiu adaptar-se ao clima tropical e retornou à França gravemente doente.

Já recuperado, Coulomb assumiu a direção das obras de fortificação que estavam sendo realizadas em Rochefort, na ilha de Aix e em Cherbourg, ocupando-se também de pesquisas científicas em seu tempo livre. Desses estudos nasceram, em 1773, as bases da teoria da resistência dos materiais e, seis anos mais tarde, alguns trabalhos sobre o atrito. Neste último campo, Coulomb foi particularmente influenciado por Guillaume Amontons, que em 1699 enunciara a lei da proporcionalidade do atrito à pressão dos corpos em contato. Baseou-se também nos trabalhos de Camus e Desaguliers, que haviam mostrado que o atrito estático é superior ao atrito dinâmico.

Comparando as teorias de seus predecessores, selecionando e estendendo as informações que se adaptavam às suas idéias, Coulomb formula a lei do atrito: "Para puxar um fardo pesado sobre um plano horizontal, é necessário aplicar uma força proporcional a seu peso, aumentada de uma pequena constante que é função da 'coerência' das suas superfícies". 

Os estudos de Coulomb no campo do atrito podem ser interpretados mais como uma necessidade colocada pela Academia de Ciências - que então pedia experiências novas, aplicáveis às polias e cabrestantes utilizados na marinha - do que como contribuição puramente científica.

Essa exigência, porém, justifica a motivação que atraiu Coulomb para o magnetismo. Publicou diversos textos científicos, chamados de memórias, sobre suas pesquisas e descobertas. Em 1777 publicou a memória "Pesquisas sobre a Melhor Maneira de Fabricar Agulhas Imantadas". Nela estabelece, com base nas experiências realizadas anteriormente pelo holandês Musschenbroek e também em seus próprios estudos, dois princípios fundamentais: o campo magnético terrestre é uniforme em um dado lugar e sua ação sobre um ímã reduz-se a um binário proporcional ao seno do ângulo que o ímã determina com sua orientação de equilíbrio.

Também nesta memória ele escreve que para explicar o motivo de uma agulha imantada se posicionar em uma determinada direção, deve-se recorrer a forças atrativas e repulsivas da mesma natureza daquelas de que somos forçados a nos servir para explicar o peso dos corpos e a física celeste.

Partindo desses princípios, Coulomb formula a equação dos movimentos de uma agulha imantada no campo terrestre; integra-a para as pequenas oscilações e mostra que se pode deduzir, a partir de seu período, o momento da força de imantação; afirma ainda ser possível comparar entre si os momentos magnéticos de diversos ímãs.

Empreende então uma série de medidas das oscilações de ímãs suspensos por finos fios. Para isso, Coulomb constrói um invento que o tornaria célebre: a balança de torção. Com ela, era possível medir o peso de um corpo pela torção que essa força imprimia a uma fibra delgada. Quatro anos depois, Coulomb seria eleito para a Academia Francesa de Ciências.

Com a utilização de seu aparelho para aprimorar as bússolas náuticas, acabou descobrindo que conseguia medir, também com sua balança, as forças de atração ou repulsão entre duas esferas com carga elétrica.

Em 1785, pôde concluir que tais forças eram proporcionais ao produto das cargas de cada esfera e inversamente proporcionais ao quadrado da distância entre seus centros. Surpreendentemente, essa relação - que ficaria conhecida como lei de Coulomb - era análoga à que Newton descobrira para as forças gravitacionais. Pela primeira vez, a natureza revelava que diferentes fenômenos podiam ser descritos através de relações semelhantes.

Neste mesmo ano Coulomb apresentou à Academia Real de Ciências três memórias: as duas primeiras tratavam da lei que rege as forças de atração e repulsão entre duas cargas elétricas e magnéticas e a terceira ocupava-se da dispersão elétrica. Segundo Coulomb, este fenômeno era inevitável e a descrição deste mecanismo, feita por ele, foi mantida e aceita até que surgiu a teoria da ionização, já no século XIX, dada a extrema dificuldade em encontrar corpos isolantes na natureza, agravada pela ação do próprio ar.

Abandonado o problema da dispersão, Coulomb segue pelo terreno da distribuição da eletricidade em um condutor. Suas experiências a respeito, bem como as fundamentações teóricas, são comunicadas à Academia na memória de 1786. Nela, Coulomb defende que a distribuição da eletricidade na superfície de um condutor independe de sua natureza química, sendo regulada unicamente pela lei da atração e da repulsão.

As duas memórias seguintes - de 1787 e 1788, apresentam uma solução aproximada de diversos problemas de distribuição da eletricidade em condutores e, ainda, a variação da densidade elétrica de dois condutores em contato.

Com estas duas memórias, que junto com as anteriores constituem o primeiro alicerce sólido da eletrostática experimental e matemática, Coulomb alcança a estatura que o transformará em influenciador direto de físico-matemáticos como Poisson e Lord Kelvin.

Em seus últimos trabalhos (1789-1801), Coulomb retoma o estudo do magnetismo. Consegue então definir, embora vagamente, os conceitos de imantação ou polarização magnética.

Também redige os princípios, com bastante precisão, daquilo que, no final do século XIX, foi chamado de ponto de Curie: temperatura acima da qual as substâncias perdem as propriedades ferromagnéticas.

Coulomb morreu em Paris, a 23 de agosto de 1806, e em sua homenagem, a unidade de quantidade de eletricidade e de carga elétrica, no Sistema Internacional, leva o seu nome.

 

índice de nomes

Coulomb

página inicial